08 Março 2007

de quem se importa


Hoje eu estou triste. Uma vontade de chorar que parece que vai durar o dia inteiro e eu não vou soltar.
No dia da mulher uma mulher quer um vestido. Um vestido de formatura, um vestido que simboliza quatro anos de paixão, de vontade de vencer, de aprendizado, de felicidade. No dia da mulher, uma mulher lembra que não teve o vestido da menina, o vestido que marca o ápice da adolescência, aos 15 anos. No dia da mulher uma mulher quer um vestido e não vai tê-lo, com certeza, porque seu armário está cheio de outros vestidos, que não lhe servem para esta ocasião. Por que não ir ao baile de formatura com um vestido de rave? Perguntar-na-iam.
Por que um vestido de formatura não custa 39 reais, pergunto-me recordando a última aquisição.
Me sinto sozinha. “Uma família de um só”, como disse a sábia irmã mais velha. Pode não ser certo, mas é assim que me sinto. Qual é o sentido da família? Que importância esta faculdade teve para minha família? Nenhuma, eu respondo.
Para todos, esta faculdade só beneficiou uma única pessoa: quem vos fala. E ponto. Ninguém tem mais nada com isso.
Dói, sabia? Dói sim. Mas o que posso fazer além de guardar este choro engasgado? Ganhar na loteria? Não foi dessa vez, isso eu tentei ontem... Assaltar um banco? Aí o “sonho acadêmico” vai por água abaixo de vez, não é? Mas quem se importa? Quem se importa se eu fico sem vestido, sem formatura, sem festa, sem bolo, sem choro nem vela... Quem? Tem alguém aí?
Os sentimentos acabam onde o bolso começa, essa é a realidade. Falou em bolso, meu amigo, esquece. Ainda bem que eu tenho um ombro pra derramar estas lágrimas recolhidas. Quiçá, isso não seja o mais importante nisso tudo.